Terra Mãe (1998): uma estória feita de História(s). Pistas de leitura sobre o papel social da telenovela.

  • Catarina Duff Burnay Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa
Palavras-chave: Ficção Televisiva, Telenovela, Identidade, Representação

Resumo

Entendido como um formato culturalmente pouco enriquecedor, a telenovela, narrativa de longa serialização com maior expressão na televisão portuguesa, dada a sua natureza complexa e de proximidade com os telespetadores, mostra-se capaz de agendar temas e de funcionar, simultaneamente, como arquivo dos tempos e relato do quotidiano. Partindo desta assunção, procuramos evidência empírica na telenovela Terra Mãe (RTP1), título produzido e transmitida em 1998, ano da Exposição Internacional de Lisboa, procurando desenhar pistas de leitura sobre o papel social dos conteúdos ficcionais e da televisão na sociedade.

Biografia Autor

Catarina Duff Burnay, Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa

Catarina Duff Burnay é Pós-Doutorada em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (2015) e Doutora na mesma área com a tese A Açorianidade na Ficção da RTP-Açores (1986-2007) pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, Instituição onde iniciou a sua carreira académica em 2002. Professora Auxiliar da FCH/UCP, é, desde 2016, Coordenadora do Mestrado em Ciências da Comunicação. É Investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC) (linha de investigação Media Narratives and Culture Memory) e assegura a coordenação da equipa portuguesa para o Observatório Ibero-americano da Ficção Televisiva (OBITEL).

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Publicado
29-06-2020
Como Citar
Duff Burnay, C. (2020). Terra Mãe (1998): uma estória feita de História(s). Pistas de leitura sobre o papel social da telenovela . Língua-Lugar : Literatura, História, Estudos Culturais, (1), 106 - 123. https://doi.org/10.34913/journals/lingua-lugar.2020.e210
Secção
Dossiê: A Expo'98 e o Portugal pós-imperial em busca de uma narrativa nacional