Língua-lugar : Literatura, História, Estudos Culturais https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar <p><em>Língua-lugar : Literatura, História, Estudos Culturais</em> est un magazine numérique interdisciplinaire en libre accès qui vise à interroger les discours littéraires, historiques, sociaux et artistiques sur l'histoire et la culture des pays lusophones. Il est associé a <em>Cátedra Lídia Jorge</em> et ouvert aux universitaires du monde entier qui souhaitent y contribuer, ce qui permet de dialoguer dans une perspective mondiale. Ses articles sont soumis à un examen anonyme par des pairs.</p> Bibliothèque de l'Université de Genève pt-PT Língua-lugar : Literatura, História, Estudos Culturais 2673-5091 Editorial https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/687 <div class="page" title="Page 10"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Concretizar-se enquanto lugar, continuado, de agregação de pensamento, mantém-se o intuito desta publicação. O quarto número da revista Língua-lugar surge num ano ainda labiríntico e procura tornar visível num mesmo espaço escrito, o trabalho de investigadores e investigadoras destes tempos. Com o objectivo duplo de justapor o português enquanto método, na sua qualidade de força de pensamento de problemáticas contemporâneas, e, ao mesmo tempo, enquanto objecto de estudo, esta publicação reflecte uma realidade transversal a várias disciplinas e a várias épocas.</p> </div> </div> </div> Sofia L. Borges Direitos de Autor (c) 2022 Sofia L. Borges https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 7 10 10.34913/journals/lingualugar.2021.e687 “O Lavra” de Irene Lisboa: uma sonda modernista do tempo de Salazar https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/716 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Em “O Lavra”, de Irene Lisboa, o movimento pendular de um ascensor de transporte público, metaforiza o devir colectivo, nos seus ritmos, tensões e bloqueios. Aí a cronista não apenas se pensa no fazer do texto e experi- menta uma forma de escrita ajustada ao ponto de mira modernista sobre o espectáculo urbano. Com ela representa a evanescência do movimento humano, no plano inclinado da cidade, mas também o transe histórico, marcado por gritantes assimetrias de classe e género, pela consolidação do fascismo e por sinais da guerra ao longe. Por meio da exemplaridade e do gesto alegórico com que se lêem cenas e !iguras, a crónica indaga o signi!icado de estruturas político-ideológicas subjacentes a tipos e classes sociais, na conjuntura de maior força do salazarismo: o limiar dos anos 1940. É essa a pista de leitura que tenciono explorar na referida crónica de <em>Esta cidade!</em> (1942).</p> </div> </div> </div> Carina Infante do Carmo Direitos de Autor (c) 2022 Carina Infante do Carmo https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 135 151 10.34913/journals/lingualugar.2021.e716 Mulheres, poder e palavra https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/708 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Mary Beard no seu livro Women and Power: A manifesto (2017), fala-nos das di!iculdades de acesso das mulheres ao poder e da relação intrínseca do poder com o acesso à palavra, melhor dizendo, no caso das mulheres, com a interdição da palavra. A autora percorre a cultura ocidental dando exemplos que o comprovam, da antiguidade clássica até aos nossos dias, em situações que vão do âmbito da privacidade ao domínio público, de narrativas literárias canónicas que in!luenciaram o pensamento ocidental como Odisseia ou Metamorfoses a discursos recentes dos jornais, tele- visões e redes sociais. De todos os exemplos só se pode retirar a conclusão que não se trata de casos individuais, mas de um sistema cultural que se reproduz ainda hoje, apesar das leis de igualdade entre os géneros entre- tanto aprovadas, tendo de se concluir como Joan Scott que o género é uma categoria útil de análise histórica (1986).</p> </div> </div> </div> Nazaré Torrão Direitos de Autor (c) 2022 Nazaré Torrão https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 12 20 10.34913/journals/lingualugar.2021.e708 ′′Insinança das Damas′′: Educação e literacia femininas na corte portuguesa de Quatrocentos https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/709 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>A corte portuguesa foi uma das primeiras a traduzir a obra de Christine de Pizan,<em> Livre des Trois Vertus ou Trésor de la Cité des Dames</em>. Segundo a tradição, a tradução para português foi ordenada pela rainha D. Isabel de Coimbra, c. 1446-1455, mas o livro terá chegado à corte anos antes, enviado por Isabel, duquesa da Borgonha. Intitulado <em>Livro das Tres Vertudes A Insinança das Damas</em> este é o único livro sobre a educação das mulheres a circular na corte portuguesa neste período. A mesma obra seria impressa no início do século XVI, com patrocínio da rainha D. Leonor. Estas duas edições desta obra são paradigmáticas de um modelo de educação e mecenato femininos praticados na corte. Neste artigo analisarei como as mulheres da alta aristocracia estiveram envolvidas na leitura, escrita, posse e edição de livros, actuando como agentes de mudança cultural na corte portuguesa.</p> </div> </div> </div> Maria Barreto Dávila Direitos de Autor (c) 2022 Maria Barreto Dávila https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 22 44 10.34913/journals/lingualugar.2021.e709 Do medo da individualidade à exaltação de competências: as freiras de Santa Mónica de Goa no século XVII https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/710 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>O convento feminino cumpria vários objetivos na sociedade da época moderna, sendo de enorme relevo nesta época. Em Goa, a primeira instituição deste tipo foi criada em 1606, numa fundação proporcionada pelo poder político do então arcebispo D. Frei Aleixo de Meneses, aliado à vontade de D. Filipa da Trindade. Ligado à Ordem de Santo Agostinho, recebeu o nome da mãe deste – Santa Mónica – e albergou centenas de mulheres ao longo dos seus anos de funcionamento, atingindo o seu número máximo em 1643, com 108 freiras de véu negro. De origens diversas, idades distintas e realidades sociais díspares, estas mulheres seriam um “rebanho de cândidas cordeiras”, como Frei Agostinho de Santa Maria, cronista do convento, escreveu em 1699? Será possível idealizarmos esta comunidade como um grupo homogéneo de mulheres a partilharem o mesmo espaço e as actividades do seu quotidiano, sem nada que as diferenciasse umas das outras?</p> <p>Com vista a responder a estas perguntas, com recurso às Constituições do Convento de Santa Mónica de Goa e à crónica do convento (1699), procuraremos o espaço existente entre os desejos das autoridades religiosas masculinas para a vida religiosa feminina e a realidade que pautava o quotidiano das freiras goesas.</p> </div> </div> </div> Ana Teresa Hilário Direitos de Autor (c) 2022 Ana Teresa Hilário https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 46 65 Asas de fumo, Asas de poesia: para uma leitura da imagem em Maria Teresa Horta https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/712 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Ancorada nas lições de imagem dialética de Didi-Huberman, propomos uma abordagem às duas últimas obras de Maria Teresa Horta (<em>Anunciações e Estranhezas)</em> sob o prisma da imagem-falena. Considerando tópicos como a dobra e a sombra, interessa-nos sobretudo explorar corpos eminentemente carnais ou (supostamente) etéreos que, na poesia de Maria Teresa Horta, estão num estado limiar e em relação com o espaço. Ler os corpos que não estão (d)escritos e que, no universo hortiano, parecem situar-se sempre além da referencialidade mais imediata: para além do visível ou, retomando as palavras do pensador francês, em “aparição”, aparição esta que se parece coadunar com a obra de Teresa Gonçalves Lobo, nomeadamente na série <em>A leveza do sonho</em>, que gravita em torno das asas, elemento central da obra de Maria Teresa Horta.</p> </div> </div> </div> Daniel Santos Tavares Direitos de Autor (c) 2022 Daniel Santos Tavares https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 66 78 10.34913/journals/lingualugar.2021.e712 De alguns galináceos na obra de Clarice Lispector https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/713 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>A história mais curta da coletânea <em>Laços de família</em>, “Uma galinha”, oferece uma versão condensada do universo literário de Clarice Lispector, cujo potencial semântico e simbólico sugerimos que se desenvolva cruzan- do-o com a crônica “Uma história de tanto amor” (10 de Agosto de 1968). E se o diálogo entre uma menina e algumas galinhas reiterasse a ofensiva antropofágica de Oswald de Andrade? A não ser que se trate de rito mágico, de sacrifício, de redenção ou de ressurreição.</p> </div> </div> </div> Michel Riaudel Direitos de Autor (c) 2022 Michel Riaudel https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 80 89 10.34913/journals/lingualugar.2021.e713 Comunhão decolonial no slam de mulheres latino-americanas https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/714 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Nesse texto apresento parte da pesquisa de pós-doutorado intitulada “Palavração, a partilha entra a letra e a voz no slam de mulheres latino-americanas” desenvolvida junto à Faculdade de Letras da UFRJ durante os anos de 2017 a 2020, com destaque para as poetas do cenário carioca, em específico, do grupo Slam das Minas RJ: Gênesis e Rejane Barcelos, da cubanas, chilena Mónica Idzi do <em>slam</em> SLhambe, da cubana Afibola Sifunola do Àse Poetry <em>Slam</em>, Mel Duarte do Slam das Minas SP e Bell Puã do <em>Slam</em> das Minas Pernambuco. A partir do diálogo intermediado por entrevistas, preparação de documentos audiovisuais entregues como devolutiva em parceria com as <em>poetrys slamers</em>, ambos realizados durante apresentações de slam em seus países (Brasil, México, Cuba e Colombia) e outros países, capturados pelas redes sociais (Facebook, Youtube, blogs e Instagram), nos quais foi possível identificar alguns pontos em comum que marcam a produção da poesia falada inventada por mulheres no contexto latino-americano. Entre eles, os processos de criação de uma estética feminista decolonial dos “feminismos insurgentes” (BIDASECA) marcada pela interligação entre ética e arte no combate à colonialidade de gênero (LUGONES) e aos discursos elitistas que negam suas criações literárias. As demandas dessas mulheres periféricas, negras, não-brancas, indígenas, lésbicas, não-binárias ou transexuais, encontram no fulgor da palavra e da performatividade dos corpos (TAYLOR) um espaço interrelacional de comunhão ancestral, um local de inscrição do passado reverenciado no presente apontando para um futuro idealizado, mais justo e inclusivo.</p> </div> </div> </div> Raffaella Fernandez Direitos de Autor (c) 2022 Raffaella Fernandez https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-07 2022-04-07 4 90 107 10.34913/journals/lingualugar.2021.e714 Nas bordas da língua: Mitos Mbyá-Guarani nas fronteiras do portuñol salvaje de Douglas Diegues. https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/717 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>O poeta Washington Cucurto escreveu que a América Latina está em efervescência, cheia de vida, sexo e criação. Ainda que seu mapa político caia aos pedaços, o desejo dos povos se prolifera incessantemente. Essa mensagem está na quarta capa do livro <em>Triple Frontera Dreams</em>, de Douglas Diegues (Rio de Janeiro, 1965), publicado na Argentina em 2017. Segundo Cucurto, Diegues é !ilho deste desejo latino-americano de cruzamentos, de impurezas, de misturas do portunhol ou do “portuñol salvaje” que é praticamente um idioma situado nas zonas de fronteira entre o Brasil e outros países hispano-americanos, mais precisamente o Paraguai e a Bolívia. Diegues acrescentou o “salvaje” que pode ser entendido como uma prática literária e uma poética fundamental para uma aproximação estético-política da América Latina. Trata-se de um idioma “mixturado que hablan los pobres y los ricos miran com desprecio y la classe media no quiere ni oír” (Cucurto<em> in</em> Diegues, 2017).</p> </div> </div> </div> Eduardo Jorge de Oliveira Direitos de Autor (c) 2022 Eduardo Jorge de Oliveira https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 154 161 10.34913/journals/lingualugar.2021.e717 TRANS AYVU RAPYTA: selección, traducciones y gravuras de Douglas Diegues https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/718 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Depois de mais de 30 años leyendo, releyendo, estudando el Ayvu Rapyta, los textos míticos de los Mbyá-Guaraní del Guairá, Paraguay, coligidos y traduzidos al castellano-paraguayo por León Cadogan, imaginei uma trans-inbención visual de la poesía contenida en estos cantos cosmogônicos, que pudesse ser apreciada por los adultos y también por las crianzas.</p> </div> </div> </div> Douglas Diegues Direitos de Autor (c) 2022 Douglas Diegues https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 162 197 10.34913/journals/lingualugar.2021.e718 Resenha: Antropofagias: um livro manifesto! https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/715 <div class="page" title="Page 2"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Imaginado a partir da jornada de estudos ocorrida na Universidade de Zurique em 2018: <em>Antropofagias: um livro manifesto! Práticas da devoração a partir de Oswald de Andrade</em> (Peter Lang, 2021) editado por Pauline Bachman, Dayron Carillo-Morell, André Masseno e Eduardo Jorge de Oliveira, aprofunda a discussão acerca da antropofagia próximo ao centenário da <em>Semana de Arte Moderna</em> (1922) – marco simbólico da produção modernista –, bem como do próprio <em>Manifesto Antropófago</em> (1928), ainda muito latente (poderia ter escrito <em>experimental</em>) na cultura brasileira, como rea!irmam as heteróclitas abordagens presentes no volume, ao mostrarem que o conhecimento da obra de Oswald de Andrade é central para a compreensão da cultura brasileira do século XX e para a reconfiguração interpretativa do passado colonial, bem como, e isso talvez seja o mais instigante, para as !icções da arte da futura.</p> </div> </div> </div> Danilo Bueno Direitos de Autor (c) 2022 Danilo Bueno https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 110 118 10.34913/journals/lingualugar.2021.e715 “Interminável onça”, de João Guimarães Rosa a Micheliny Verunschk: Reflexões em torno de “Meu tio, o Iauaretê” e O som do rugido da onça https://oap.unige.ch/journals/lingua-lugar/article/view/731 <div class="page" title="Page 123"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>“Interminável onça!”, remata Micheliny Verunschk no seu mais recente romance, O som do rugido da onça (2021). A partir dessa epígrafe e da onça como Leitmotiv em cada um dos autores aqui convocados, este ensaio aborda primeiro as suas origens dentro da literatura e cultura brasileiras, recorrendo a textos de Ariano Suassuna e Alberto Mussa. Esses textos servirão como chave de leitura, assim como o perspetivismo ameríndio de Eduardo Viveiros de Castro. Propõe-se uma reflexão crítica e comparativa da linguagem metamórfica no conto “Meu tio, o Iauaretê” (1961), de João Guimarães Rosa, e do romance acima mencionado, na qual se aponta para aspetos análogos nestas narrativas, sempre na presença da onça como motivo central: primeiro, ao mostrar um jogo de poder entre a voz domesticada e o silêncio selvagem, composições só aparentemente contraditórias, para depois alcançar o lugar comum da transcendência, o lugar da escuta.</p> </div> </div> </div> Patrick Santos Rebelo Direitos de Autor (c) 2022 Patrick Santos Rebelo https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-04-06 2022-04-06 4 120 134 10.34913/journals/lingualugar.2021.e731