Corvo Branco: construção e desconstrução de mitos.

  • Nazaré Torrão Centre d'Études Lusophones, Unité de Portugais, Faculté des lettres, Université de Genève
  • Octavio Páez Granados Centro de Estudos Artísticos e Humanísticos (CECH), Universidade de Coimbra e Centre d'Études Lusophones, Université de Genève
Palavras-chave: Corvo Branco, Luísa Costa Gomes, Expansão Portuguesa, Pós-colonialismo, Universos Simbólicos

Resumo

O trabalho que nos propomos apresentar é a análise da ópera Corvo Branco com libreto de Luísa Costa Gomes, música de Philip Glass e encenação de Robert Wilson, estreada no teatro Camões por ocasião da Expo'98, cuja referência central são as viagens marítimas dos séculos XV e XVI, ainda que o tema central pretenda ser a descoberta. A obra configura não só a sobreabundância de informação, acontecimentos, imagens e lugares que caracteriza as sociedades contemporâneas, como sobretudo a reação que as próprias sociedades engendram para essa sobreabundância: o refúgio em universos simbólicos servindo de reconhecimento entre os seus membros e de confirmação de pertença ao grupo (Augé, 1992). Esse universo simbólico, parte da ideologia explícita ou implícita da sociedade em questão e assim da identidade nacional, é, no caso português, dominado pela importância do império passado, pela ideia de “encontro de culturas” harmonioso e pacífico, pela imagem do português simples, humilde e batalhador que percorre o mundo em busca de aventuras, não descurando, porém, o desejo de regressar à “ditosa pátria [sua] amada” (Gomes, 1998, p. 48). Como a obra desconstrói esses mitos será a nossa linha de análise.

Biografias Autor

Nazaré Torrão, Centre d'Études Lusophones, Unité de Portugais, Faculté des lettres, Université de Genève

Nazaré Torrão é doutorada em Literatura Comparada pela Université de Genève, onde é responsável pela unidade de português desde 2012 e diretora do CEL (Centre d’Études Lusophones) desde 2017. Leciona língua e literaturas em português na mesma universidade desde 1995. A sua pesquisa centra-se nas literaturas contemporâneas portuguesa, moçambicana e angolana. Desenvolve investigação sobre as questões da representação literária da identidade nacional e do devir histórico, sobre as poéticas do espaço e das migrações e sobre questões de género.

Octavio Páez Granados, Centro de Estudos Artísticos e Humanísticos (CECH), Universidade de Coimbra e Centre d'Études Lusophones, Université de Genève

Octavio Páez Granados é assistente doutorando nas Unité de Portugais et L’Unité d’Espagnol da Université de Genève e membro colaborador do Centro de Estudos Artísticos e Humanísticos (CECH) da Universidade de Coimbra. A sua principal linha de pesquisa centra-se no estudo das masculinidades (com ênfase nas masculinidades dissidentes) na literatura barroca espanhola, portuguesa e latino-americana, assim como em obras contemporâneas de tipo neo-barroco. Paralelamente à sua formação literária, Octavio Páez Granados, é formado em Música Antiga – cravo (ESMAE – Porto) e em Estudos Musicais – Musicologia (Universidade de Coimbra).

Referências

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Publicado
29-06-2020
Como Citar
TorrãoN., & Páez GranadosO. (2020). Corvo Branco: construção e desconstrução de mitos. Língua-Lugar : Literatura, História, Estudos Culturais, (1), 85 - 105. https://doi.org/10.34913/journals/lingua-lugar.2020.e209
Secção
Dossiê: A Expo'98 e o Portugal pós-imperial em busca de uma narrativa nacional